Nossa Senhora da Conceição
A presença portuguesa no Oriente, a partir do séc. XV, favoreceu a expansão do Cristianismo através de ordens religiosas, que ocorreram a artífices locais para a produção de imagens e objetos de culto segundo modelos iconográficos ocidentais. Deste encontro entre diferentes tradições artísticas e culturais resultou uma arte híbrida indo-europeia, na qual a iconografia cristã se articulou com técnicas e estéticas orientais, particularmente evidentes na imaginária produzida em marfim. A representação de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal desde 1646, constitui um exemplo paradigmático desde fenómeno. É neste contexto que se insere uma escultura da Virgem, em marfim, datada do século XVII e doada ao Museu Marítimo de Ílhavo por Manuel Teles, em 1934. A peça constitui um testemunho da circulação de modelos, matérias-primas e técnicas entre a Europa e o Oriente, revelando, na sua materialidade e expressão, o cruzamento entre diferentes culturas. Encontra-se atualmente patente na exposição temporária A Arte que veio pelo mar, no Centro de Religosidade Marítima.
