Kayak Inuit
Entre as peças mais singulares da exposição permanente dedicada à pesca do bacalhau à linha, destaca-se um Kayak Inuit, embarcação tradicional revestida a pele de foca, utilizada pelas comunidades da Gronelândia na caça e na navegação em águas árticas. Este exemplar foi oferecido ao Museu pelo Capitão Ilhavense Jorge da Rocha Troloró (1900-1947), que o transportou desde a Gronelândia, em 1940, a bordo do lugre-motor Delães. A correspondência de Américo Teles, o mais acérrimo dos amigos do Museu, documenta que o Kayak permaneceu retido na Alfândega, tendo apenas integrado as coleções em 1942, após um demorado processo administrativo.
Segundo o estudo tipológico de Rui de Mello Freitas, publicado na Revista Argos, trata-se de um exemplar produzido nas duas primeiras décadas do século XX, proveniente da costa ocidental gronelandesa, onde operava regularmente a frota bacalhoeira portuguesa. Para além do seu valor etnográfico, constitui um testemunho material dos contactos estabelecidos entre os pescadores portugueses e as comunidades Inuit durante as campanhas da pesca do bacalhau. Em 1998, integrou a exposição do Pavilhão do Conhecimento dos Mares, na EXPO’98, afirmando-se hoje como uma das peças mais emblemáticas do Museu Marítimo de Ílhavo.
Legenda – Kayake produzido no início do século XX e, pela análise da pele julga-se pertencer à Phoca Gronelandica, e proveniente de uma zona geográfica compreendida entre Paamiut e Ummannaq.
