As focas têm um apetite voraz por bacalhau e em vários momentos cruzaram-se com os navios da faina maior que sulcavam as ondas em busca do fiel amigo. Muitos pescadores recordam-se de terem avistado focas nas águas dos grandes bancos e da Groenlândia. Era frequente as pequenas focas ficarem à deriva em ilhas de gelo enquanto a progenitora se vai alimentar. Mesmo as focas adultas usam os ‘icebergs’ como sítios de descanso e refúgio para evitar predadores. Noutros casos avistavam as focas a tentar caçar bacalhaus.
O sr. João Cavaz, antigo maquinista, recorda-se numa das primeiras viagens que fez, ainda na pesca à linha, que tiveram uma foca a bordo.
Era frequente haver animais domésticos a bordo, mas animais selvagens sempre foi algo de diferente na vida a bordo como recorda o sr. João - Sim, era de fácil adaptação doméstica. Deixava-se coçar, deixava fazer festinhas. Já estava connosco há uns tempos e toda a malta se afeiçoou ao animal, porque estar sempre dentro de um navio em alto mar e ver uma coisa diferente é sempre agradável.
Este não foi o único caso de uma foca ter sido animal de estimação a bordo. Anos mais tarde, num navio de arrasto, tiveram uma foca que acabou por fazer a viagem de regresso da tripulação para Portugal. O capitão do navio comunicou para terra e à chegada a foca foi entregue ao Jardim Zoológico de Lisboa.
João Nunes Cavaz, natural de Ílhavo, foi maquinista e andou embarcado mais de vinte anos em navios da pesca do bacalhau.
Fotografia cedida por Francisco Vida
