Esta edição de estreia da coleção “A Nossa Mesa” é uma homenagem à cozinha tradicional portuguesa, sobretudo bacalhoeira. Destacando a famosa Chora, ao longo dos largos meses de viagem, eram servidos pratos como feijão assado com peixe frito, feijoada de chispe, caldeirada de espinhas, bacalhau frito, bacalhau da pana ou o “queque dos domingos”, comida retemperante para climas hostis e mares inóspitos enfrentados por valentes pescadores. Conheça a vida alimentar a bordo e dezoito receitas que podem ser confecionadas em qualquer cozinha, revivendo a essência memorial do património gastronómico da comunidade do mar.
Lançamento do livro “Chora e Feijão Assado”
14 de novembro de 2020 (Dia Nacional do Mar)
16:00~17:00
Museu Marítimo de Ílhavo
Esta edição de estreia da coleção “A Nossa Mesa” tem a sua origem no Festival Gastronomia de Bordo, um evento que surgiu em 2018 apoiado no Projeto “Territórios com História: o mar, a pesca e as comunidades - programação cultural em rede dos municípios de Ílhavo, Peniche e Murtosa”, liderado pela Câmara Municipal de Ílhavo e cofinanciado pelo CENTRO2020, Portugal 2020 e União Europeia através do FEDER. Cada um destes territórios desenvolveu a sua gastronomia de bordo, sendo que Ílhavo se dedicou ao secular património da pesca do bacalhau por mares do Atlântico Norte, projetando para os dias de hoje a gastronomia tradicionalmente produzida a bordo das embarcações de pesca longínqua. Aos outros territórios caberia a gastronomia das embarcações de pesca costeira (Peniche) e lagunar (Murtosa).
O Festival Gastronomia de Bordo de Ílhavo apresenta-se como uma homenagem à cozinha tradicional portuguesa, sobretudo bacalhoeira, tendo como “porto seguro” vários restaurantes do Município de Ílhavo, num modelo contemporâneo e inovador, suportado nos sabores e nas restrições a bordo dos bacalhoeiros. Exemplo disso é a famosa Chora, uma sopa feita com a cabeça do bacalhau que deu mote a alguns ditos entre os homens nos navios: “quem come chora, tem de cá voltar!”
Ao longo dos largos meses de viagem, eram servidos pratos como feijão assado com peixe frito, feijoada de chispe, caldeirada de espinhas de bacalhau, bacalhau frito, bacalhau da pana ou o “queque dos domingos”, entre outros, comida retemperante para climas hostis e mares inóspitos enfrentados por valentes pescadores.
Nesta edição contamos com uma investigação inédita de Pedro Miguel Silva (CIEMar-Ílhavo) que nos apresenta uma retrospetiva histórica da gastronomia dos navios de pesca do bacalhau, traçando a vida alimentar a bordo. Como curadora do próprio festival, a Chef Patrícia Borges trabalhou as receitas a partir de fontes escritas e sobretudo orais, com as memórias e registos pessoais de três antigos cozinheiros: Manuel Sousa, José Pascoal e José Ribeiro. Desse trabalho de recolha, resultaram dezoito receitas de gastronomia de bordo que podem ser confecionadas em qualquer cozinha, oferecendo sempre notas de sugestão e de recriação, mas respeitando sempre a essência memorial do património gastronómico da comunidade do mar
