Exposição de fotografia de Etelvina Almeida
Uma embarcação com vínculo e apelido das gentes de Ílhavo.
Segundo dados históricos, esta embarcação é referenciada a partir do século XVIII, tendo-se extinguindo no século XX.
Herdando o nome da sua terra natal, esta bateira terá sido criada com o propósito de servir as gentes da borda d'água lagunar, passando posteriormente para o mar. Terá sido um artefacto de trabalho, uma ferramenta polivalente, servindo para toda a faina. Mais tarde, migrou para as águas do Douro e do Tejo, tendo-se ali extinguido, não deixando rasto.
Não restando exemplar físico da embarcação, alguns estudiosos desenharam e maquetaram um protótipo com base em documentos escritos, registos imagéticos e gráficos.
A ideia de construir uma réplica desta embarcação secular tem vindo a ser alimentada ao longo dos anos.
Em Junho de 2013, a Associação dos Amigos do Museu Marítimo de Ílhavo formou uma equipa de trabalho para concretizar este sonho – reconstruir um elemento patrimonial identitário da região, já perdido.
Por iniciativa desta Associação, estudou-se, elaborou-se, supervisionou-se e custeou-se todo o projecto. Actualmente, pode-se apreciar o belo exemplar da bateira “ílhava”exposto na “Sala da Ria” deste Museu.
Construída na borda d'água, em Pardilhó, num estaleiro naval tradicional, por um conceituado mestre, foi imperativo manter o processo construtivo, os materiais e acabamentos tradicionais, fidedignos com a realidade de outrora.
Apresentada ao público, no dia 11 de Janeiro de 2014, a réplica da bateira “Ílhava”, uma peça única em ambiente museológico, transmite através do sistema construtivo, dos materiais, da sua forma e história funcional, um conjunto de elementos de cariz etnográfica identitários da nossa região.
Recuperou-se um património imaterial, materializando-se nesta réplica. Um bom exemplo e um contributo para trabalhos futuros.
Esta breve exposição de fotografia tem como objectivo dar a conhecer, através de alguns apontamentos imagéticos, algumas fases do processo construtivo da emblemática embarcação.
Pretende-se, ainda, de forma sucinta, transmitir alguns momentos de rara beleza e encantamento vividos dentro de um estaleiro, durante a construção de um artefacto artesanal – luz, odor, textura, cor, brilho, pó.... tudo isto se entrenha na alma!
