Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

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Centro de Religiosidade Marítima

 

Quem vai ao mar reza para de lá voltar. Mar e devoção estão intimamente ligados e em Ílhavo, terra de marinheiros, materializa-se essa relação no Centro de Religiosidade Marítima, inaugurado a 8 de agosto de 2021, integrando as comemorações do 84.º aniversário do Museu Marítimo de Ílhavo.

Este novo equipamento museológico, o primeiro centro de religiosidade de temática marítima em Portugal, destina-se à preservação e à exposição de um valioso espólio de obras de arte e bens culturais de natureza religiosa, que revelam a relação dos ilhavenses com o mar.

A infraestrutura situa-se no antigo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo, entretanto renovado, situado no centro da cidade de Ílhavo, sendo uma extensão do Museu Marítimo de Ílhavo.

O Centro de Religiosidade Marítima está dividido em quatro exposições permanentes, cada uma sobre um tema: Mar e Devoção, Devoção Ilhavense, Fé Ilhavense e Tesouro. Além disso, existe uma zona de exposições temporárias, atualmente, com a exposição “Da Coleção ao Museu - Santos em Porcelana da Vista Alegre”, de Carlos Manuel Teles Paião, patente até 30 de novembro.

 

Na sala Mar e Devoção explora-se a relação da religião e das crenças na vida marítima – ligação que se prolonga, pelo menos, desde a época dos Descobrimentos, continuando até aos dias de hoje nas comunidades piscatórias. Nesta sala encontra-se, por exemplo, uma imagem de São Rafael, que navegou durante anos no camarote dos oficiais do navio de pesca do bacalhau com o mesmo nome. Também nesta zona podem ser vistas seis imagens que estavam no altar da capela do paquete Vera Cruz, bem como o altar da capela do Bairro dos Pescadores de Ílhavo.

Devoção Ilhavense é a sala de ex-votos, inúmeras peças que foram oferecidas ao Senhor Jesus dos Navegantes, ao longo dos anos, como forma de agradecimento pela proteção nas aflições no mar. Entre as doações encontram-se diversas pinturas alusivas ao tema marítimo, jarras, partituras tocadas em missas encomendadas e uma miniatura de um lugre bacalhoeiro, que integra anualmente o andor do Senhor Jesus dos Navegantes, e que vai continuar a sair à rua em dias de procissão.

Fé Ilhavense é o nome da zona que reúne sobretudo figuras religiosas, roupa e utensílios, pertencentes à Paróquia de Ílhavo, que estavam guardados há anos e anos, e que agora vêm a luz do dia. Nesta sala, que ao contrário das restantes não tem ligação à cultura marítima, encontram-se figuras imponentes como o Senhor dos Paços, o Santo Ivo e a Senhora das Dores, bem como inúmeras peças que são reflexo de várias décadas do culto franciscano em Ílhavo.

 

Na sala do Tesouro, ao entrar encontra-se, desde logo, uma custódia, uma das mais importantes peças de ourivesaria renascentista. Também aqui pode ser vista a cruz peitoral do bispo D. Manuel Trindade Salgueiro, montada sobre relíquia de um pequeno fragmento das ossadas de Francisco Marto, um dos três pastorinhos de Fátima.

 

Na visita ao museu pode-se, ainda, contemplar uma pintura de Júlio Pires, feita de propósito para o espaço, uma interpretação contemporânea da ligação entre o mar e a devoção das comunidades marítimas.

Cerca de 70 por cento das peças existentes no museu estão em depósito pela Paróquia de Ílhavo e as restantes, na sua maioria, ao arquivo do Museu Marítimo de Ílhavo e a coleções particulares.

 

Até ao final de 2021, o Centro de Religiosidade Marítima tem entrada gratuita.

Horário:
terça a sábado
10:00-13:00
14:00-18:00

domingo
14:00-18:00