Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

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Património de janeiro: Lugre Gafanhoto - Ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes

01 Janeiro 2022
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Como relata o jornal “O ilhavense” o lugre de três mastros “Gafanhoto” saíra do Porto com carregamento de cimento com destino à barra de Aveiro. Ao aproximar-se de Aveiro foi colhido pelo mau tempo e, fazendo-se ao largo, nunca mais foi visto. Sem mantimentos, sem meios de segurança, a sua sorte começou a preocupar toda a gente. Confiava-se na valentia do capitão, mas, perante os elementos desencadeados, começava-se a perder esperança de salvamento.

Alguns dias depois recebeu-se um telegrama anunciando que o “Gafanhoto” atracara em Leixões com grave avaria. Renasceu a alegria em muitos corações e secaram-se em muitos olhos as lágrimas. Os tripulantes do navio, que viram a morte diante dos olhos, no momento agudo do perigo ajoelharam no convés do barco e prometeram mandar celebrar missa e sermão ao Senhor Jesus dos Navegantes, se fossem salvos.


Cumpriram a sua promessa no dia 29 de janeiro de 1933, celebrando na igreja paroquial de Ílhavo, missa com sermão do reverendo padre António Alves e acompanhamento da orquestra da Filarmónica Ilhavense. O quadro oferecido do pintor ilhavense Palmiro Peixe mostra, como habitual, no canto superior esquerdo, a imagem Senhor Jesus dos Navegantes envolto em raios de luz com legenda retangular – “Lugre Gafanhoto" / Ao Senhor Jesus dos Navegantes oferecem: o Capitão Amândio Mathias Lau e tripulação.


O lugre Gafanhoto foi construído em 1919 por Joaquim Dias Ministro em Pardilhó e teve como primeiro armador Bagão & Ribaus, Lda. Após este episódio foi reparado e rebatizado de San Jacinto e motorizado para a campanha de 1934. Navegou até 1952.

Expõe-se hoje no Centro de Religiosidade Marítima, extensão do Museu Marítimo de Ílhavo, que materializa, pela primeira vez em Portugal, um percurso permanente musealizado de valorização do património religioso da vivência da comunidade local com a cultura do mar associada à maritimidade e à pesca do bacalhau.