Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

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Património setembro 2021: Ciclones

01 Setembro 2021
Patrimonio set2021 1 772 2500

As águas do Atlântico Noroeste são normalmente fustigadas por ciclones entre junho e novembro, circunstâncias que não inquietavam em demasia as tripulações, apesar de conscientes dos perigos. Os capitães tinham especial atenção aos boletins metrológicos que em caso de aviso conduziam os navios para um porto de abrigo, habitualmente Saint John’s. Nem sempre era possível escapar aos ciclones, sendo que muitas tripulações passaram por tormentas que ainda hoje a memória não deixa esquecer.

 

José Francisco da Graça recorda: “Passei por várias tempestades, uma a bordo do ‘Pádua’ e várias no ‘Águas Santas’. Apanhamos um ciclone em que o quebra-mar virou-se para dentro e o bote de ir buscar o correio ficou desfeito em bocadinhos.

Em situação extrema foi o incidente do lugre ‘Gaspar’ que teve de ser afundado pela guarda costeira Norte Americana a 15 de setembro de 1948 devido a não haver forma de rebocar o navio com danos tão extensos. A imprensa da época noticiou o evento com: “Foi recente o naufrágio do ‘Gaspar’ [...], em consequência de uma tempestade medonha, provocada por um ciclone violentíssimo” e também “O lugre ‘Gaspar’ foi metido a pique a tiros, pois oferecia perigo para a navegação”.