Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

Peças do mês de maio: linha de mão, nepas e luvas

01 de Maio de 2018 a 31 de Maio de 2018
Linha nepas luva 1 772 9999

A faina do pescador da pesca à linha do bacalhau começa antes do dóri ser lançado à água, ainda de madrugada, depois do mata bicho e do Capitão ordenar "Vamos arriar com Deus!". De pé e sózinho, na proa do dóri, o pescador podia pescar com rile de mão, com linha e zagaia. Na tentativa de se proteger do frio vestia grossas luvas de lã (só de um dedo para facilitar o trabalho) e para evitar cortar as mãos com o atrito causado pela linha, o pescador colocava a nepa – argola de borracha com um sulco - por onde corria a linha de pesca. Alava com esforço os bacalhaus que, aos poucos, iam preenchendo o interior do dóri.

 

“[...]Vão-se passando as horas, lá se vê o pescador, de pé, ora zagaiando, em movimentos bruscos, ora pescando à linha, movimentos suaves, lentos, os anzóis iscados com pedaços de cagarra, ainda melhor os painhos, ou com os moluscos encontrados nos buchos do bacalhau. Começam a notar-se os botes “sentidos”, fundo tapado, peixe a meio balde, a balde, agora mais metidos, com peixe à sarreta, aquele mais direito já tem uns peixinhos à proa.[...]”.

In LOPES, Ana Maria e MARQUES, Francisco, Faina Maior – A pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova, 3.ª edição, Amigos do Museu Marítimo de Ílhavo, 2015.

As peças foram doadas ao Museu Marítimo de Ílhavo no decorrer da década de noventa do século XX.