Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

Viagens na Coleção do Museu Marítimo de Ílhavo 1937-1964

07 de Agosto de 2012 a 13 de Outubro de 2012
Viagens2 1 772 9999
Viajar nas colecções do Museu Marítimo de Ílhavo significa invocar as relações que ele teceu, ao longo dos seus 75 anos de vida, com a comunidade local e com as comunidades de público que se envolveram na utopia construtiva do “Museu dos Ílhavos”. Revisitar as colecções do Museu significa, também, suscitar o jogo de espelhos que os museus sempre estabelecem consigo próprios, como que expressando a sua relação intra-identititária. A memória das colecções do Museu Marítimo de Ílhavo não foge à regra, antes a confirma.
Dos vários “museus” que o MMI já foi ou procurou ser, são testemunho as inúmeras peças que compõem as suas variadas colecções. Conjunto programado ou reunido por acaso, uma colecção é sempre composta de objectos portadores de uma história injuntiva. Colecções são séries conexas ou desconexas de objectos, fragmentos de uma cultura material que só por habitar num Museu já adquire significados superlativos, como se entre o património, a memória e a identidade houvesse sempre uma linha directa, ou uma relação de causa e efeito.
Esta exposição tem por objectivo reunir peças relevantes do segundo ciclo de vida do Museu, os cerca de trinta anos que se seguiram à abertura do Museu Municipal de Ílhavo, em 8 de Agosto de 1937, e o começo da década de sessenta. Aqui se reúnem peças variadas e de proveniência incerta que invocam as hesitações de projecto de um Museu que queria ser tudo, porventura demasiadas coisas em simultâneo. Foi, por isso, porém, graças ao espírito generoso dos responsáveis, do Grupo dos Amigos e das redes de contacto que o Museu entretanto constituiu com os meios académicos e com alguns coleccionadores e naturalistas, que este período foi dos mais ricos da história do Museu em termos de colecções.
Do museu relicário dos usos e costumes locais que constituíra a ambição anti-moderna da plêiade local que ergueu o “Museu dos Ílhavos”, chegou-se a um museu de etnografia marítima e também de história natural, caminhos que esta exposição confirma e recorda. De todas estas camadas sedimentares se compõe a herança cultural do actual Museu Marítimo.
 
Álvaro Garrido