Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

“Ser e Devir”, fotografia de Virgílio Ferreira

16 de Janeiro de 2016 a 24 de Abril de 2016
Being and becoming 1 1 772 9999

Este projeto foi desenvolvido durante o ano 2013, e está integrado no prémio Europeu 1000 Words Award, organizado pela 1000 Words Photography (UK), em colaboração com a Cobertura Photo (Espanha), Atelier Visu (França), e em associação com a Magnum Photos.
Becoming / Devir é um conceito que vem da filosofia que considera a mudança em si mesmo como processo e passagem de um estado para outro. Refere-se à transformação e mudanças do modo de ser, o acontecer e o ir sendo. A mudança é inevitável e uma parte essencial do mundo.

Este trabalho é sobre a emigração Portuguesa. Espalhados pelo mundo, hoje são mais de 4,5 milhões de portugueses que habitam fora de território nacional. De acordo com alguns cientistas sociais, este fenómeno da emigração nacional tem tido um papel estruturante e de grande impacto na sociedade portuguesa, assumindo diversas expressões e efeitos. Hoje em dia os portugueses estão de novo a emigrar. Movidos por uma diversidade de interesses, mas essencialmente por razões de procura de melhores oportunidades de vida, económicas e sociais.
Nesta série, procurei representar ideias de identidade híbrida, explorando conceitos do “Terceiro Espaço”, do “Velho e do Novo”, a polaridade de viver entre culturas, idiomas, paisagens e fronteiras estrangeiras. Segundo alguns académicos o “Terceiro Espaço” é uma interacção e articulação com duas ou mais línguas e culturas. O “Velho e o Novo” são estados de ser, e de negociações entre o social, nacionalidade, espaços geográficos e linguísticos. Homi Bhabha afirma que estas negociações, “o processo de hibridez cultural”, dão origem a algo diferente, algo novo e irreconhecível, uma nova área de negociação de significado e representação.
Os emigrantes são pessoas em deslocação neste novo contexto sócio e geocultural, e estão localizados no território entre o "Velho” que faz parte deles (memórias, língua, cultura, território), e o “Novo” (o estrangeiro, que se está tornando parte deles). Esses estados de velho e novo, ocorrem no mesmo espaço e ao mesmo tempo. Os emigrantes são convidados a transformar a sua identidade, renegociando-a de acordo com situações novas e em constante mudança. O meu objectivo foi explorar fotograficamente estas intersecções complexas, acentuando o que identifico como sentimentos e ideias de diferença ou estranheza, a memória, a identidade e mobilidade.

Virgílio Ferreira

Ações complementares à exposição

6-7 fev | 13-14 fev | 5-6 mar workshop de fotografia “da ideia ao projeto” ver mais aqui
5 mar visita guiada pelo autor
23-24 abr workshop de fotografia “fotografar o museu”

(informações brevemente)

 

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