Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

Os Últimos Heróis, de Pepe Brix

01 de Dezembro de 2015
Convite pepe 1 772 9999

Depois da exposição no Museu Marítimo de Ílhavo entre maio e julho deste ano, Pepe Brix apresenta uma homenagem aos últimos heróis portugueses que arriscam a vida na pesca do bacalhau. O fotógrafo viajou até aos mares da Terra Nova no arrastão “Joana Princesa”. Durante três meses e meio partilhou a vida a bordo com a tripulação daquele que é um dos últimos bacalhoeiros portugueses.Este livro é o resultado dessa viagem. Dezenas de fotografias que revelam a dureza física e psicológica de um quotidiano vivido num espaço circunscrito e em condições climáticas extremas. Parte destas fotografias foram publicadas na edição de fevereiro da revista National Geographic.

 

1 de dezembro, terça-feira, 17h30

 

Pepe Brix

Pepe Brix é um vagamundo. Esse mundo com várias pontas, unido por vários pontos, atravessado por uma infinita ponte, que parte e chega dentro do coração. É fotógrafo, o que equivale dizer que olha acima dos outros, que vê o que os outros não vêem e que observa a alma instantânea das coisas que falam devagar. Tudo começou nessa ponta do mundo, no meio do atlântico, chamada Açores, num dos seus pontos mais pequenos: a Ilha de Santa Maria. Nasceu em 1984 numa família habituada a estender pontes para os outros. Aprendeu o ofício sem o saber, que há linguagens que não se aprendem, mas que se desvendam, de forma cardíaca, ao som da música, no chão das cidades, na altura das montanhas. A fotografia foi, assim, o laboratório onde a humanidade se revelou um mistério fabuloso, por haver tantos rostos soltando pontas, por haver tantos pontos a serem cruzados e a ponte a seguir, feliz de ir em frente, mesmo quando recua. Do Porto à Hungria, da Califórnia ao Ecuador, da Índia ao Nepal, pontas que contaram a dimensão humana dos sentidos, expondo os pontos, erguendo pontes. Pontes que atravessaram cordilheiras e chegaram à Terra Nova, como navegador da retina humana, que tudo vê, mas nem sempre percebe o que regista. Por isso, o tamanho do seu coração, para caber o que uma moldura não aguenta: a frequência de uma humanidade que celebra a sua própria humanidade, acima de tudo.

Daniel Gonçalves