Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

Bateira Ílhava

11 de Janeiro de 2014
Ilhava 1 772 9999

São poucas as informações que chegaram aos nossos dias sobre a Bateira Ílhava – algumas referências de autores como Baldaque da Silva ou Castello Branco, poucas gravuras e fotografias – mas aquelas que existem, permitem traçar o perfil desta embarcação.
Oriunda da região litoral aveirense, a Bateira Ílhava era usada na ria e no mar, na apanha e transporte de moliço e na pesca, respetivamente. Durante os movimentos migratórios realizados pelos Ílhavos ao longo dos séculos XVIII e XIX – a Diáspora dos Ílhavos –, esta bateira foi utilizada nas deslocações ao longo do litoral, durantes o outono e o inverno, em busca de melhores condições de trabalho e águas mais calmas. Entre os Cabos da Roca e Espichel, nas águas do Tejo e junto a Cascais, a bateira ílhava era utilizada na pesca da sardinha e do sável.
Recorria-se sobretudo à tarrafa – rede de um único pano, composta por saco e mangas, usada como cerco volante. De acordo com esta técnica, eram necessárias duas bateiras que trabalhavam a par. Cada barco tinha a sua função, um levava a rede e o outro transportava o peixe, trabalhando em conjunto para a sua captura.
A bateira ílhava apresenta semelhanças com outras embarcações como, por exemplo, o saveiro, ainda que de menor dimensão, e o moliceiro, apontado como seu descendente por alguns autores. Com fundo chato, a sua proa e popa têm bico recurvado, castelo de proa e mastro ao centro. A cor negra deve-se ao alcatrão que reveste o casco, contrastando com o branco da vela latina. Nela eram transportados cerca de 15 a 16 homens, 12 dos quais se dividiam pelos dois grandes remos usados para propulsão.
Não tendo chegado nenhum exemplar aos nossos dias, é agora possível conhecer a Bateira Ílhava na Sala da Ria do Museu Marítimo de Ílhavo, construída pelas mãos do Mestre Esteves e oferecida pela Associação dos Amigos do Museu de Ílhavo.