Museu Marítimo de Ílhavo
HOMENS E NAVIOS DO BACALHAU

Arquivo digital que documenta as campanhas bacalhoeiras desde o início do século XX

Mar Nosso - Fotografia de Artur Pastor

20 de Maio de 2017
Dia internacional dos museus site 1 772 2500

A exposição Mar Nosso - Fotografia de Artur Pastor, construída em cooperação com o Arquivo Municipal de Lisboa e com a incansável colaboração de Artur Pastor (filho) reúne numa só narrativa inúmeras histórias de homens e mulheres do mar. Num conjunto de 74 fotografias, invoca-se a paixão de Artur Pastor pelo mar e as suas gentes. Uma memorável exposição nos oitenta anos de um Museu irreverente.
Artur Pastor (1922-1999) foi um dos grandes fotógrafos portugueses do século XX. Iniciou o seu percurso fotográfico nos anos 40 e produziu, incessantemente, durante toda a sua vida. Manifestou particular interesse pela paisagem humana, pelas etnografias do trabalho e do mundo rural. A preto e branco procurou encontrar um registo simples e sagaz, capaz de destacar a beleza natural das coisas. O mar e a vida de quem nele trabalha foram, também, uma constante dos seus registos fotográficos.

 

Mar Nosso - Fotografia de Artur Pastor reúne numa só narrativa inúmeras histórias de homens e mulheres do mar. As imagens são injuntivas. Ligam as palavras e as coisas e despertam interrogações sobre o “mar nosso”, lugar lendário que talvez se tenha perdido. Todas as setenta e quatro fotografias que aqui se exibem invocam um tempo, um espaço, um imaginário. A emoção estética que sentimos ao vê-las flutua conforme a relação que mantemos com as “coisas do mar” e varia de acordo com o nosso entendimento da fotografia enquanto arte. Seja qual for essa perspetiva do eu, é certo que esses anos de meados do século passado, o tempo de um “Estado Novo” etnografado de múltiplas formas, dentro e fora do reduto balofo da propaganda, é um arquivo infindável de imagens que parecem desafiar a corrosão do seu próprio significado. Talvez por isso, estas imagens incorrem numa estética da pobreza que, sendo bela, é também cruel. A harmonia geométrica dos barcos e das artes estendidas na praia, o rosto sulcado dos homens e mulheres não revelam os negativos de um quotidiano feito de grandes rigores e privações, de pobreza e conflito.

Vemos o que queremos nestas imagens? Ou sabemos o que vemos através daquilo que a fotografia nos mostra?
A ideia de produzir esta exposição nasceu de uma intenção antológica que a obra de Artur Pastor bem justifica. Reunir as principais imagens marítimas do fotógrafo num museu cujo projeto cultural se centra nos trabalhos da memória significa prestar culto à fotografia como arte documental e enquanto discurso identitário.

Álvaro Garrido

 

Ação incluída no programa comemorativo do Dia Internacional dos Museus [ver mais]

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